2.- Vilarelho
g).- À procura do pensamento
Nº 6
Aquelas emoções,
aquele viver sempre namorado,
ocupam o mar embravecido
onde esboçam ondas os sentidos.
Aquelas emoções são agudas dores
na eternidade dos meus recordos,
que não se resignan a desaparecer,
que são frescos como as primeiras pingas
da orvalhada da manhã.
Sofro porque lembro e sei de cor
a beleza das vossas caras,
e amaldiçoo por não poder mirar-me,
vaidoso, no profundo mistério
dos vossos olhos espelhados,
que muito apesar do tempo é a luz
que serve para imaginar-vos,
é o aroma doce que no esquecimento
nunca mas se esborralha,
é a presença morrinhenta que me sustém,
por enquanto, erguido, sempre vivo.
Onde ficastes colegas que enchíeis
os meus cursos de veludo rosa?
Se algum dia conseguísseis abraçar-me
seguro que veríeis no meu interior
o meu coração vazio, a minha alma lacerada,
os recordos da minha mente, quase já, em retirada.
Para Delina e Marichús

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