2.- Vilarelho
h).- Quando fecho os olhos P 1
Nº 1
mais alá da matéria.
Explico que não tenho alma,
quase não um hálito de sombra.
Explico que não tenho coração,
a não ser que um mudo latejado
assomado ao meu peito aberto
seja janela à minha esperança.
Explico ao meu ser que vivo
mais alá dos sentidos.
Explico que não tenho amor,
quase não um ligeiro suspiro,
que através da minha seca veia
percorre como sangre a artéria
da dureza do sentimento.
Explico ao meu ser que vivo
na aridez do deserto,
onde quase não uma lágrima
consegue sulcar como rego
os poros mortos da minha cara,
inexistente gesto risonho,
parabiose das minhas meixelas,
que formam de frente o meu corpo.
Explico ao meu ser que vivo
um sem viver, como morto,
mais alá da matéria,
mais alá do sentimento.

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