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Explico o
meu ser que vivo
mais alá da matéria. Explico que não tenho alma, quase não um hálito de sombra. Explico que não tenho coração, a não ser que um mudo latejado assomado ao meu peito aberto seja janela à minha esperança. Explico o meu ser que vivo mais alá dos sentidos. Explico que não tenho amor, quase não um ligeiro suspiro, que através da minha seca veia percorre como sangre a artéria da dureza do sentimento. Explico o meu ser que vivo na aridez do deserto, onde quase não uma lágrima consegue sulcar como rego os poros mortos da minha cara, inexistente gesto risonho, parabiose das minhas meixelas, que formam de frente o meu corpo. Explico o meu ser que vivo um sem viver, como morto, mais alá da matéria, mais alá do sentimento. |
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miércoles, 15 de mayo de 2019
QUANDO FECHO OS OLHOS-1
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